Acabei de ver o filme "O Palhaço" onde Benjamim (Selton Mello) e Valdemar (Paulo José) formam a fabulosa dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue. Benjamim é um palhaço sem identidade, CPF e comprovante de residência. Ele vive pelas estradas na companhia da divertida trupe do Circo Esperança. No entanto, Benjamim, que acha que perdeu a graça, parte em uma aventura atrás de um sonho. Recomendo. Além de ter gostado do filme, "nostalgiei" com a música que o encerrou. Um sucesso lançado no ano de 1969 (eu, com 4 anos de idade). Se você for da minha geração ou da geração anos 70, com certeza lembrará dela (Tudo passará - Nelson Ned).
Sentimental... sou demais
21 Fevereiro, 2012
20 Fevereiro, 2012
16 Fevereiro, 2012
Eu sei, mas não devia.
Marina Colasanti.
Eu
sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
02 Fevereiro, 2012
No espelho, o tempo.
Vai andando o tempo descalço.
Vai tempo, anda! Depressa!
Sem pressa, anda.
No espelho, a sombra do tempo marca.
Vai tempo, anda! Te apressa!
Descalço , vai o tempo andando.
À sombra do tempo, no espelho a marca.
Vai tempo, anda! Sem pressa.
07 Janeiro, 2012
Consciência Ecológica!
É, evoluímos. São tantos os desastres
que não é possível ficar alheio. Questões de desmatamento, extinção de animais,
poluição. Percebo que é maior a preocupação
entre crianças e adolescentes. Mas nós, adultos, também
nos conscientizamos do problema e buscamos, dentro do possível, amenizar o
estrago até então instaurado. E é assim que tenho me sentido ultimamente. Outro
dia, andando pela rua, notei que um casal de namorados, que caminhava por uma
calçada, à minha frente, desviou de uma fila de formigas, dando um salto sobre
elas. Foi engraçado vê-los agir daquela forma. Pois é! Consciência é sério, não
é brincadeira não! Atualmente, estou num dilema, digamos assim, terrível! E na
minha cozinha. Tudo começou em um pequeno buraquinho no rejunte do azulejo. Lentamente
elas foram surgindo e se proliferando. Com seus passinhos rápidos, por seus
caminhos inventados, sobem e descem a todo instante. Sentem-se em casa. São muito
pequenas, quase invisíveis. E agora?! O que faço? Simplesmente não consigo eliminá-las.
Acho que estamos ficando amigas. Eu e as formigas. Pode?!
31 Dezembro, 2011
Anos pares. Acredite!
28 Dezembro, 2011
Uma moeda por um ano melhor.
Hoje coloquei em prática uma ideia (é estranho escrever “ideia” sem acento) que tive há tempos atrás. É comum, nas sinaleiras aqui de Porto Alegre (e no resto do país não é diferente), encontrar meninos de rua fazendo malabarismos para, em troca, receber algumas moedas. Sempre fui contra, embora muitas vezes, por pena, tenha me rendido aos apelos do “só uma moedinha tia”. É difícil não se comover ou não se entristecer. Isso me fez lembrar uma conversa que tive com um senhor, um mendigo, numa avenida bem movimentada. Enquanto esperava uma lotação, ele, que vinha na minha direção, parou para conversar comigo. Contou-me coisas da sua vida, da sua família, da sua mãe (talvez eu até já tenha comentado aqui). Ouvi suas histórias. No final, na despedida, disse-me: “Te cuida”! Aquele foi um dia muito triste para mim. Vê-lo naquela situação ... Então hoje, ao voltar do supermercado com um pacote de biscoitos que havia comprado especialmente para esse fim, quando parei na primeira sinaleira e, já esperando ser abordada por ele, o menino, antes mesmo do seu tradicional pedido, chamei-o, lhe alcancei os biscoitos e esperei a sua reação. Na realidade, tive medo dele não gostar, de recusar, me ofender. Mas não, ele sorriu, agradeceu e me desejou um Feliz Ano Novo! Retribui o sorriso desejando o mesmo para ele. Que 2012 seja um ano melhor para todos nós!
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